quarta-feira

«És uma grande mulher, Margarida. Nunca te esqueças disso. Tens em ti a maior honra que já vi...» e isto vezes e vezes sem conta.

E sabes o pior de tudo? Custa-me engolir estas palavras quando são ditas em contraste com a tua cobardia. Porque tem sido tudo à volta disso.

sábado

Chegas a casa, olhas-me, e eu sinto que travo esta batalha sozinha.

Antes de voltares eu acreditava que tudo isto seria totalmente diferente.
Mas não entendo, acreditas? Não entendo porque quebraste as tuas promessas. No início éramos eu e tu, tu e eu. E ninguém nos ia conseguir separar ou derrubar, lembras-te?
E hoje... hoje sento-me na tua cama vazia, à espera que chegues novamente à casa onde sempre vivemos, mas não tenho absolutamente um único fio de esperança em mim. Porque, há meses atrás, juraste que seria tudo muito mais fácil se nos uníssemos, mas, em menos de um dia, esqueceste todas as tuas palavras de força. Custa-me a engolir isto porque tu sabes, melhor do que ninguém, que ela precisa de todo o nosso apoio, mas mesmo assim continuas a fazer de conta que esta casa, aquela onde vivemos desde sempre, continua a ser a mesma que deixaste há 8 meses atrás.
É difícil, para ti, ignorar as palavras doces que ultimamente têm aparecido naquele que (supostamente) devíamos amar acima de tudo? Para mim também é. Estabeleço com ele a mesma ligação que tu, se calhar mais fortemente, e mesmo assim, apesar do carinho que lhe tenho, esforço-me para cumprir o papel que lhe jurei [a ela] quando esta merda começou. E dói-me. Arranha-me. Corrói-me. Rasga-me. Mas não desisto. Não desistirei nunca.
Imaginas o que seria da nossa vida se todos fossemos desistindo aos poucos? Eu acho que tens medo de imaginar e é precisamente por isso que continuas a ser a mesma pessoa com ele. É por isso que cumpres o teu papel de filho exactamente da mesma maneira de sempre.
Estou cheia de medo do futuro. Estou, quase que literalmente, a morrer de pavor. Mas, enquanto eu viver, não me verás a baixar as armas nem a assumir esta guerra como perdida.
Devias fazer o mesmo. E eu gostava mesmo que fizesses o mesmo.
Os irmãos mais velhos costumam ser o exemplo a seguir, mas acho que, desta vez, não faria mal se invertêssemos os papeis.
E, apesar de tudo (e chama-me ingénua, se quiseres), deito-me a pensar que vais regressar às tuas origens e vais conseguir vencer o teu medo de o encarar. Porque, afinal, é apenas isso que te impede, não é? O medo.

Prepara-te porque a tempestade será longa e o ponto onde nos encontramos está ainda no momento mais ameno. Eu sei que vais continuar a falar e a prometer. E a voltar a falar e prometer. E sempre mais. Mais palavras, mais juras, mais planos. Às vezes sou bastante idiota porque, por segundos, chego a acreditar na tua aparente coragem e vontade de nos fazer mudar esta merda de vida.
Mas agora, acordo para a realidade e é como te digo: chegas a casa, olhas-me e eu travo, realmente, esta batalha sozinha. E custa. Custa mesmo muito.