Há o céu
Há o mar
E nós estamos algures entre eles os dois,
Como seres difusos, complexos e instáveis
A areia onde hoje te deitas está molhada e é vestígio de uma noite de Verão invernal.
Se pudesse prender te nesta praia, fazia o para todo o sempre e sem pensar três vezes - porque ouvir o teu respirar transporta me para onde fui realmente feliz.
A mãe caiu no seu sono leve e tu continuas simplesmente a fazer nada, deitado aqui ao meu lado.
Se pudesse não saia mais daqui. Porque, apesar de todas as palavras (e as palavras chegam a doer tanto...) a minha casa é onde vocês estiverem. E nós estamos aqui, nesta praia deserta. Juntos, depois de tanto, tanto, tempo.
Eu não sei como te hei de dizer isto, mas estou perdidamente apaixonada pela família instável que somos nós os três.
E agora pergunto:
Vens comigo até ao mar?
(Foste. E o tempo parou naquele fim de tarde)
30 de Julho de 2015