Sempre que voltas para nós, vens por um período de tempo muito, muito curto. Chegas, nesse teu encanto eterno, e, de repente, todos te querem para si.
Cada vez que regressas, trazes contigo um sem número de memórias que, sinceramente, gostava de conseguir apagar. Despertas em ti tudo aquilo que te fez partir e, do nada, voltam à superfície todos os pequenos peixes do oceano que é a situação que atravessamos.
Hoje ligaste-me e senti na tua voz um pedido de ajuda. Pudesse eu dar-te a solução para a pergunta que fizeste. Qual deles? Do outro lado da linha, comecei a chorar, mas ainda bem que a tua aflição não te deixou entender o que se passou comigo. Pudesse eu não chorar. Pudesse eu responder-te com o meu desejo mais sincero.
Acho que hoje finalmente entendemos que, a partir de agora e até ao fim das nossas vidas, essa pergunta estará sempre presente aquando do teu regresso. Qual deles? Eu queria os dois. Na verdade, eu queria os quatro. Mais o rádio no volume máximo. Mais a tua cabeça a repousar no meu ombro, no banco de trás do carro.
Mas na realidade, haverá sempre um lugar vazio no carro. Um silêncio a substituir a rádio. Eu sozinha no banco de trás.
E, então, virá sempre, inevitavelmente, a pergunta Qual deles?
E só te poderei responder que, de entre todas as pessoas, escolher-te-ei sempre a ti.