domingo

A melhor parte de ver alguém partir é contar os dias para o seu regresso.

17 dias.
e amanha serão 16

segunda-feira

Há o céu
Há o mar
E nós estamos algures entre eles os dois,
Como seres difusos, complexos e instáveis                             

A areia onde hoje te deitas está molhada e é vestígio de uma noite de Verão invernal.
Se pudesse prender te nesta praia, fazia o para todo o sempre e sem pensar três vezes - porque ouvir o teu respirar transporta me para onde fui realmente feliz. 

A mãe caiu no seu sono leve e tu continuas simplesmente a fazer nada, deitado aqui ao meu lado.
Se pudesse não saia mais daqui. Porque, apesar de todas as palavras (e as palavras chegam a doer tanto...) a minha casa é onde vocês estiverem. E nós estamos aqui, nesta praia deserta. Juntos, depois de tanto, tanto, tempo.

Eu não sei como te hei de dizer isto, mas estou perdidamente apaixonada pela família instável que somos nós os três.

E agora pergunto:
Vens comigo até ao mar?

(Foste. E o tempo parou naquele fim de tarde)

30 de Julho de 2015

quinta-feira

agora seremos nós os dois contra a tempestade

Sempre que voltas para nós, vens por um período de tempo muito, muito curto. Chegas, nesse teu encanto eterno, e, de repente, todos te querem para si.

Cada vez que regressas, trazes contigo um sem número de memórias que, sinceramente, gostava de conseguir apagar. Despertas em ti tudo aquilo que te fez partir e, do nada, voltam à superfície todos os pequenos peixes do oceano que é a situação que atravessamos.
Hoje ligaste-me e senti na tua voz um pedido de ajuda. Pudesse eu dar-te a solução para a pergunta que fizeste. Qual deles? Do outro lado da linha, comecei a chorar, mas ainda bem que a tua aflição não te deixou entender o que se passou comigo. Pudesse eu não chorar. Pudesse eu responder-te com o meu desejo mais sincero.
Acho que hoje finalmente entendemos que, a partir de agora e até ao fim das nossas vidas, essa pergunta estará sempre presente aquando do teu regresso. Qual deles? Eu queria os dois. Na verdade, eu queria os quatro. Mais o rádio no volume máximo. Mais a tua cabeça a repousar no meu ombro, no banco de trás do carro.

Mas na realidade, haverá sempre um lugar vazio no carro. Um silêncio a substituir a rádio. Eu sozinha no banco de trás.
E, então, virá sempre, inevitavelmente, a pergunta Qual deles?

E só te poderei responder que, de entre todas as pessoas, escolher-te-ei sempre a ti.