Madrugada de 10 de Janeiro de 2014
Não sei muito bem como começar.Conheces-me e sabes perfeitamente como é difícil para mim começar as coisas. Sabes que penso em coisas que não cabem a ninguém, que avalio situações, invento cenários, crio problemas, tão meus, mas que te afetam tanto.
Nunca tive a oportunidade de te dizer que és a pessoas que mais amo neste mundo. Ou se calhar até tive. Se calhar deixei simplesmente essa oportunidade passar, como tenho deixado passar a vida... Mas eu acho que, no fundo, sabes muito bem aquilo que és para mim. Melhor do que eu. Melhor do que qualquer ser deste Universo.
Amanha partes e metade de mim parte contigo. As malas estão prontas para te acompanhar. O que levas nelas? Dizem que a saudade pesa. E muito. Tem cuidado contigo. Deve ser por isso que dificilmente conseguem ser movidas do chão...
A mãe vai chorar amanhã. Eu tenho chorado por dentro todos os dias. Não quero que neste nosso adeus, sintas a minha cara molhada. Não quero que leves de mim a imagem de uma fraca que não suporta ver as pessoas partir. Apesar de eu ser precisamente assim: uma fraca.
Amanha partes e dir-te-ei adeus pelo vidro do aeroporto. Aí sim, estarei a chorar, mas, felizmente, não vais conseguir ver-me.
Nunca pensei que fosse tão lixado afastar-se de alguém. E é talvez por seres tu e não outra pessoa qualquer, que me doi a alma sempre que te olho e penso que é o nosso último momento a sós. E és bonito, sabias?
O instinto faz destas coisas. O ser humano tem mecanismos que às vezes, quase sempre, todos os dias, até, me irritam profundamente. Porque eu sabia que te ia amar, mesmo antes de te saber. Porque é que teve de ser assim?
Amanhã partes e as últimas horas que nos restam vão voar mais rápido que o avião que te levará de mim. Tantos anos juntos, tão poucos anos juntos, talvez. Não devias partir neste momento.
Por favor, não vás. Fica comigo. Tenho toda a primavera da vida para viver, quero que a vivas comigo. Quero tanto que a vivas comigo.
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